Transplantados podem e devem fazer exercícios

Posso falar em primeira pessoa sobre o papel da atividade física para alguém que passou por um transplante. Sou transplantada unilateral de pulmão, profissional de educação física e atleta. Precisei entrar na lista por um transplante devido a uma fibrose pulmonar, uma doença progressiva e sem cura que faz com que percamos o fôlego aos mínimos esforços, como tomar banho e escovar os dentes. Minha fibrose evoluiu de tal forma que precisei utilizar oxigênio 24 horas por dia e, por vezes, tinha de me deslocar de cadeira de rodas.

Após cinco meses na fila de espera, meu pulmão chegou! É ele que me dá fôlego para essa nova vida. Transplantei somente o pulmão esquerdo e, atualmente, o direito já quase não funciona.

Mas vivo muito bem… Tão bem que virei atleta e pratico atletismo. Já representei nosso país em três Mundiais para Transplantados e sou bicampeã mundial nos 100 metros rasos para transplantados (com um único pulmão em funcionamento). Me preparo para o próximo mundial, que será na Austrália em 2023. Liège Gautério em prova de atletismo disputada.

Vi no esporte uma maneira de divulgar a doação de órgãos e desmistificar a ideia de que transplantado é alguém com muitas restrições e que não pode se exercitar.

Como profissional da educação física, idealizei o projeto Se Mexe Tx, que incentiva transplantados a se exercitarem e cuidarem do seu órgão recebido. Como tomamos várias medicações, dentre elas os imunossupressores para evitar a rejeição do órgão, podemos ter muitos efeitos colaterais, como diabetes, hipertensão, osteoporose etc.

E o exercício é também uma forma de prevenir e/ou amenizar esses efeitos.

Transplantados podem e devem fazer exercícios