Olá,
O Uruguai vem sendo um grande foco do Blog e obviamente que sua cepa mais emblemática, o Tannat, merecia um destaque a parte.
Então, decidimos buscar vinhos produzidos com a uva Tannat ao redor do mundo e conseguimos montar uma degustação com sete diferentes vinhos de sete países produtores. Mas antes de falar da degustação, vamos listar alguns detalhes e curiosidades dessa uva.

Dados e Curiosidades:
– O Tannat é uma uva tinta da família da vitis vinifera originária do sudoeste da França. Béarn, região aos pés da cordilheira dos Pirineus, é o berço dessa variedade, mas é na região do Madiran, ainda no sudoeste da França, que a Tannat é mais cultivada.
– Embora a origem da Tannat seja francesa, é no Uruguai que ele é a principal uva do país. Foi por volta de 1870 que o imigrante francês Don Pascual Harriage plantou as primeiras parreiras dessa uva no Uruguai. Porém, foi somente 100 anos mais tarde, que a produção comercial ganhou impulso. O sucesso foi tanto que a Tannat tornou-se símbolo das vinícolas do país e, hoje, ocupa cerca de 25% de toda a área plantada do país.

– Uma das principais razões do sucesso da uva Tannat no Uruguai é que o seu ciclo de maduração é considerado como médio, normalmente em fevereiro antes das habituais chuvas de verão.
– A uva Tannat, é conhecida também como Bordeleza, Madiran, Harriage e Moustrou.
– Não são muitos os países que plantam a Tannat. Além de França e Uruguai, somente conseguimos vinhos do Brasil, Argentina, Estado Unidos, Bolívia e Chile. Além desses, a Itália, Austrália, Peru e Africa do Sul são outros países que cultivam a Tannat.
– A maior característica da Tannat é a alta concentração de taninos, particularidade que dá origem a seu nome. De acordo com estudos, a Tannat é rica em resveratrol, que é um potente antioxidante, com uma quantidade maior em relação a outras uvas. Este polifenol tem propriedades que ajudam a combater o envelhecimento precoce e alguns tipos de câncer, além de ajudar a prevenir doenças, combater a obesidade e reduzir o mau colesterol (conforme já falamos anteriormente no Post 5 Razões para Beber Vinho Todos os Dias).
Degustação dos “Sete Países”:
A seguir, os comentários sobre os vinhos degustados às cegas para tornar a avaliação mais justa e interessante. Os vinhos serão comentados na exata sequência de serviço.
Aranjuez Tannat 2014: o representante da Bolívia é um vinho “intrigante”. Com passagem em carvalho Francês e Americano, o primeiro da sequência foi um dos melhores da noite. Entretanto o vinho “morreu” após umas três horas aberto. Na minha avaliação ficou em 3º lugar (nota dada pela prova inicial, obviamente).
Orzada Tannat 2014: o representante do Chile, produzido pela orgânica Odfjell foi a maior surpresa da noite. Envelhecido por 8 meses em barris de terceiro uso é um vinho macio e redondo, frutado na boca e sem as habituais notas herbáceas do Chile. Na minha avaliação ficou em 2º lugar.
Greenwich 43N Madiran 2009: o vinho da França decepcionou. Provavelmente estava Bouchonné. Na minha avaliação ficou em 7º lugar.
Enos Tannat Gran Reserva 2012: esse representou o Brasil, produzido pela Enos, uma das minhas vinícolas favoritas no Brasil. Envelhecido por 12 meses em barris de carvalho e mais 12 meses de estágio em garrafa, mostrou que também sabemos produzir um bom Tannat. Na minha avaliação ficou em 4º lugar (listado como um dos melhores custo x benefício de janeiro).
Luz de Luna Blend de Safras: o vinho do Uruguai mostrou todo o potencial do país com essa uva. Blend das safras 2010, 2011 e 2012 é um vinho potente e encorpado com taninos rústicos e largo final. Na minha avaliação ficou em 1º lugar.
Inkblot Tannat 2010: o representante dos Estados Unidos me lembrou demais um Zinfadel, com notas mais doces. Este, ao contrário do vinho da Bolívia, melhorou muito após 3 horas no decanter. Na minha avaliação ficou em 6º lugar.
Secantlas Adentro 2013: o representante da Argentina. Produzido na região de Salta, é o ícone da bodega que só produz 2 vinhos. Passa 8 meses em carvalho Francês de terceiro e quarto uso, mas não performou como eu esperava. Apresenta frutas em compota na boca e nariz com final de média persistência. Na minha avaliação ficou em 5º lugar.








