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  • Cientistas desligam cromossomo extra que causa a síndrome de Down

    Acesse:http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-desligam-cromossomo-extra-que-causa-a-sindrome-de-down,1054473,0.htm

    Enviado por Fabio Maia Vital

    Pesquisa aponta potencial de terapias cromossômicas, mas ainda está longe de alguma aplicação prática

    Herton Escobar – O Estado de S. Paulo

    Aproveitando uma “ferramenta genética” inerente ao genoma das mulheres, pesquisadores dos Estados Unidos e do Canadá conseguiram desligar a cópia extra do cromossomo 21 que causa a síndrome de Down.

    A pesquisa foi feita exclusivamente in vitro, utilizando células em cultura, e não há perspectiva de que ela possa produzir uma “cura” para a síndrome. Ainda assim, o estudo traz a primeira demonstração prática de que terapias cromossômicas poderão se tornar algo factível no futuro para o tratamento de sintomas associados ao Down e outras síndromes causadas pela duplicação de um cromossomo (chamadas trissomias).

    “É uma ideia genial, totalmente inovadora”, disse ao Estado a geneticista Maria IsabelMelaragno, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), após ler o trabalho, publicado ontem pela revista Nature.

    O experimento foi realizado com células-tronco de pluripotência induzida (iPS) derivadas de um paciente com síndrome de Down. O que os cientistas fizeram foi inserir no cromossomo extra das células a cópia de um gene conhecido como XIST, normalmente responsável por “silenciar” (ou desligar) uma das cópias do cromossomo X nas mulheres. O efeito foi o mesmo: o XIST desativou os genes do cromossomo 21 extra, fazendo com que as células funcionassem geneticamente como células normais.

    “O que eles fizeram, essencialmente, foi inserir um ‘interruptor’ genético que permite ligar ou desligar o cromossomo inteiro”, explica a pesquisadora Lygia Pereira, da Universidade de São Paulo. (USP). “É um truque engenhoso. Eles pegaram essa ferramenta natural de silenciamento do cromossomo X e usaram para silenciar um outro cromossomo.”

    A pesquisa foi liderada por Jeanne Lawrence, da Faculdade Medicina da Universidade de Massachusetts, nos EUA. O trabalho foi submetido à Nature para publicação em maio de 2012, mas só foi formalmente aceito pela revista no mês passado, após mais de um ano de revisão, o que dá uma ideia da complexidade do projeto.

    Aplicações. A implicação mais “futurista” do trabalho, segundo os autores, é colocar a síndrome de Down na lista de doenças que poderão se beneficiar de terapias gênicas – ou cromossômicas – no futuro. Em nenhum momento, porém, os cientistas falam em reverter completamente o quadro (“curar”) da trissomia.

    “Os efeitos da trissomia do cromossomo 21 na síndrome de Down já ocorrem desde o início do desenvolvimento embrionário; não há como reverter isso”, explica Maria Isabel, da Unifesp. Segundo ela, porém, é factível pensar em terapias capazes de evitar alguns dos efeitos adversos da síndrome, como doenças hematológicas e neurológicas, que com frequência afetam os pacientes. Ela destaca que esse é o “apenas o primeiro passo para investigações na pesquisa básica com aplicação clínica futura”.

    A contribuição mais certa e imediata da técnica, segundo os especialistas, será como ferramenta de pesquisa, para o entendimento dos mecanismos genéticos e biológicos por trás da síndrome de Down e outras alterações cromossômicas (como as trissomias dos cromossomos 13 e 18, que são letais nos primeiros anos de vida). Algo que, por sua vez, poderá servir para o desenvolvimento de novas drogas e terapias.

    A técnica permite criar modelos celulares que reproduzem a biologia da doença in vitro, e que podem ser geneticamente modificados para o estudo de mecanismos e intervenções específicas. Algo que já era feito com genes individuais, e agora poderá ser feito com cromossomos inteiros.

    “Do ponto de vista prático, de aplicação terapêutica direta, há uma luz no fim do túnel, mas acho que ela é muito pequena”, afirma Lygia Pereira, da USP. “O grande impacto será na construção de modelos celulares para entender os mecanismos das doenças.”

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  • Novo método promete baratear fertilização in vitro

    Acesse:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130708_novo_metodo_fertilizacao_invitro_an.shtml

    James Gallagher

    Repórter de Ciência e Saúde da BBC News

    BBCOs pais de Connor Levy tentavam há 4 anos engravidar naturalmente.

    Um novo método de fertilização in vitro, no qual é feita uma triagem de embriões durante o processo, pode reduzir drasticamente os custos desse tipo de tratamento, segundo pesquisadores.

    Connor Levy, o primeiro bebê fruto do novo método, nasceu em maio nos Estados Unidos.

    A triagem, elaborada na Universidade de Oxford, ajudou os médicos a escolherem um embrião com a melhor chance de sucesso.

    Apenas uma em cada três tentativas de fertilização in vitro resulta em um bebê, já que anormalidades no DNA de um embrião são comuns.

    Especialistas dizem que testes mais elaborados são necessários para comprovar a eficácia do método.

    Se houver anormalidades com os cromossomos, as sequências de DNA, no embrião, ele não vai conseguir se implantar no útero, e se ele conseguir, o feto não vai se desenvolver.

    É um problema que aumenta rapidamente com a idade. Um quarto dos embriões são anormais nos 30 e poucos anos de uma mulher, mas este número sobe para três quartos quando uma mulher atinge os 40 anos.

    Algumas clínicas já oferecem alguma forma de triagem de cromossomo, mas isso pode adicionar entre 2 mil e 3 mil libras (cerca de R$ 7 mil) ao custo da fertilização in vitro no Reino Unido. A mãe de Connor, Marybeth Scheidts, disse que o teste teria custado US$ 6 mil (cerca de R$ 13 mil) na Pensilvânia.

    O novo teste tira proveito dos avanços feitos no sequenciamento do genoma humano. Em 24 horas o teste pode garantir que o número correto de cromossomos está presente.

    Dagan Wells da Universidade de Oxford, disse à BBC: “Os testes atuais encarecem significativamente um procedimento que já é caro e limitado. A maioria das pacientes tem que pagar pelo tratamento com dinheiro do próprio bolso.”

    “O que a nossa técnica faz é dar o número de cromossomos e outras informações biológicas sobre o embrião, a um custo baixo – provavelmente cerca de dois terços do preço dos atuais métodos de triagem”.

    Ele diz que os testes são necessários para ver se o método pode melhorar as taxas de sucesso da fertilização in vitro.

    Lágrimas de alegria

    BBCNovos testes devem ser realizados antes de o novo método poder ser amplamente utilizado

    O nascimento de Connor, e outra gravidez resultante desse método de triagem, serão anunciados na conferência da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia.

    Marybeth Scheidts, de 36 anos, tentou engravidar de seu marido, David Levy, de 41 anos, naturalmente por quatro anos, antes de fazer uma tentativa por inseminação artificial.

    Na triagem, três dos treze embriões produzidos eram saudáveis. Sem a triagem dos cromossomos, escolher o embrião certo teria sido uma questão de sorte.

    Marybeth disse à BBC que os anos de tentativas foram difíceis: “Houve dias em que eu só chorava e só queria me esconder no quarto e acabar com tudo.”

    “Mas depois de todo esse trabalho duro, nós finalmente temos o nosso pequeno Connor,” conta Marybeth.

    Michael Glassner, médico de fertilidade do Main Line Health System, uma rede de hospitais e centros de saúde na Filadélfia, onde a fertilização in vitro ocorreu, disse que essas técnicas se tornarão mais comuns.

    “Se você já se sentou em frente a um paciente que falhou, e você olha nos seus olhos, e ele mal consegue conter suas esperanças e sonhos – sabe que tudo o que puder mudar significativamente as taxas de gravidez vai se tornar padrão,” diz Glassner.

    “Por isso eu acho que daqui a cinco anos esse método será o padrão”, conclui Glassner.

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