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  • Jovem que fez Siri entender português começou a programar aos 8 anos

    Acesse:http://www1.folha.uol.com.br/tec/1029545-jovem-que-fez-siri-entender-portugues-comecou-a-programar-aos-8-anos.shtml

    Pedro Franceschi, jovem de 15 anos, combinou o software Dragon Dictation, que transcreve falas e entende o português, com o Siri, assistente pessoal comandado por voz do iPhone 4S, disponível somente em inglês, francês e alemão.

    Depois da ajuda de amigos e algoritmos rabiscados na janela de vidro do quarto, o resultado do trabalho de Pedro foi um Siri que entende português. Pedro interceptou o tráfego dos servidores do Siri e o direcionou para o próprio computador, onde destrinchou e recombinou códigos até conseguir a façanha.

    Reprodução
    Tela do Siri, assistente pessoal do iPhone 4S, traduzido para o português
    Tela do Siri, assistente pessoal do iPhone 4S, traduzido para o português

    A função ainda não está disponível para pessoas interessadas, o que deve acontecer somente quando o jailbreak (desbloqueio que permite a instalação de programas não oficiais e a habilitação de outras funções) do iPhone 4S sair, segundo Pedro. Ele ainda espera combinar o resultado do trabalho com o Google Maps, para tornar o uso do Siri mais eficaz no Brasil.

    Pedro está no primeiro ano do ensino médio e pretende um dia, claro, cursar engenharia da computação no Rio de Janeiro, onde mora. Veja abaixo conversa que o jovem teve com a Folha:

    Folha – De onde saiu a ideia de fazer o Siri entender português?

    Pedro Franceschi – A Apple sempre lança os aparelhos e serviços em inglês e se esquece do Brasil. Por isso, pensei na possibilidade de traduzir o áudio para o português e, com a ajuda de amigos, acabei achando uma forma de fazer isso. Também sou usuário de iPhone e queria usar o programa em português.

    Alem da língua, outro problema do uso do Siri no Brasil é o banco de dados usado para encontrar lugares, que é focado nos EUA e na Europa. Isso não prejudica o uso, mesmo que a ferramenta entenda português?

    Quando sair o jailbreak do iPhone 4S, pretendo criar um aplicativo e combiná-lo com a API [especificação usada para programação de software] do Google Maps, para que a busca possa ser feita também em pontos do Brasil.

    Quando você começou a programar?

    Com uns 8 ou 9 anos. Aprendi na internet mesmo, fazendo pesquisas no Google. Comecei com C++ e depois comecei a aprender outras linguagens.

    Divulgação
    Janela do quarto de Pedro Franceschi, com os cálculos usados para chegar à tradução do Siri
    Janela do quarto de Pedro Franceschi, com os cálculos usados para chegar à tradução do Siri

    Além da modificação do Siri, você criou outras ferramentas para aparelhos da Apple, como um aplicativo que ajuda a instalar o Linux em equipamentos com iOS. Por que o interesse específico na Apple?

    Meu pai trabalhava com fotografia, então sempre tinha aparelhos da Apple à mão para mexer com esse material. Acabei gostando da beleza e da usabilidade dos aparelhos da Apple. Não pretendo programar para Android, por exemplo. Não tenho vontade nenhuma. O trabalho é maior e existem outras dificuldades de desenvolvimento. Dá pra fazer coisas muito melhores e mais rápidas para [sistemas da] Apple.

    Você trabalha com o quê?

    Com programação, numa empresa que faz aplicativos para celulares. Pretendo seguir na área e me formar em engenharia da computação aqui no Rio.

    Você programa, trabalha e estuda. O que faz quando não está envolvido com nenhuma dessas três coisas?

    É basicamente isso. Eu estudo, trabalho e programo. Basicamente todo o meu tempo livre é usado para programar.

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  • Apple e Google trabalham em aparelhos para usarmos como roupa

    Acesse:http://www1.folha.uol.com.br/tec/1024198-apple-e-google-trabalham-em-aparelhos-para-usarmos-como-roupa.shtml

    A tecnologia muitas vezes desenvolve maneiras de resolver os problemas que cria, e existe um problema que precisa de solução.

    A invenção do smartphone criou um mundo no qual milhões de pessoas passeiam pela vida olhando o tempo todo para seus aparelhos, como Narciso à beira do lago.

    Sei disso porque sou uma delas.

    E não é provável que elas mudem de hábito no futuro próximo. É realista supor que fiquemos mais e mais absortos na Tela. A tecnologia terá de resolver esse problema, e o fará criando computadores de vestir.

    Adrian Dennis/France-Presse
    Em vez de passar a vida olhando para a tela do celular, talvez as pessoas possam, um dia, vestir o aparelho
    Em vez de passar a vida olhando para a tela do celular, talvez as pessoas possam, um dia, vestir o aparelho

    “Computadores de vestir” é um termo amplo. Tecnicamente, um relógio eletrônico sofisticado é um computador de vestir. Mas a versão definitiva dessa tecnologia será uma tela que de algum modo complemente nossa visão com informações e acesso a mídias.

    Ao longo dos últimos 12 meses, a Apple e o Google começaram secretamente a trabalhar em projetos que resultarão em computadores de vestir. O objetivo principal das duas empresas é vender mais smartphones. (No caso do Google, vender mais celulares significa que mais anúncios são vistos.)

    No Google X, o laboratório secreto do Google, pesquisadores estão trabalhando em periféricos que, ligados ao seu corpo ou à sua roupa, transmitiriam informações a um celular Android.

    Pessoas que conhecem o trabalho dizem que o Google contratou engenheiros eletrônicos da Nokia Labs, da Apple e de cursos universitários de engenharia especializados em pequenos computadores de vestir.

    A Apple também realizou experiências com protótipos de produtos capazes de transmitir informações ao iPhone. Esses produtos conceituais também poderiam exibir informações em outros aparelhos da Apple, como um iPod, que a Apple já está nos encorajando a usar no pulso, ao vender modelos Nano com mostrador de relógio.

    Uma pessoa que conhece os planos da empresa me disse que “um pequeno grupo de funcionários da Apple” vem conceituando e até desenvolvendo protótipos de aparelhos de vestir.

    Uma ideia em discussão é um iPod curvo e de vidro que seria usado em torno do pulso; as pessoas se comunicariam com ele usando o software de inteligência artificial Siri.

    O cérebro que une todas essas coisas é o smartphone, que, afinal, é praticamente o primeiro computador de vestir. Os pesquisadores apontaram que o aparelho raramente fica a mais de um metro de distância do usuário. À noite, costuma ficar a centímetros da cama e, para muita gente, substituiu o despertador.

    Como resultado, ele servirá de polo central à nossa coleta e compartilhamento de informações. Pense nele como um campo de força que nos envolverá onde estejamos, transmitindo energia e acesso à internet a sensores e telas afixados às nossas roupas.

    “Anos atrás, os pesquisadores imaginavam minúsculos computadores que transmitiriam informações à internet”, disse Yael Maguire, cientista visitante no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e na Universidade Harvard. “Não veio como imaginávamos, mas aconteceu: são os smartphones.”

    Reprodução
    HUD (heads-up display) em cena do seriado "O Exterminador do Futuro: Crônicas de Sarah Connor"
    HUD (heads-up display) em cena do seriado “O Exterminador do Futuro: Crônicas de Sarah Connor”

    Michael Liebhold, pesquisador sênior especializado em computadores de vestir no Instituto do Futuro, em Palo Alto, Califórnia, prevê que o próximo passo para a tecnologia é misturar o mundo real e o virtual.

    Ao longo dos dez próximos anos, diz, é possível que as pessoas passem a usar óculos com telas incorporadas e, eventualmente, lentes de contato com telas funcionais.

    “A meninada vai brincar com jogos virtuais com os amigos, nos quais eles correm por um parque e perseguem criaturas virtuais, acumulando pontos”, disse.

    A moda deve ser uma das primeiras áreas a sofrer perturbações. Imagine adolescentes que possam desenhar seus trajes virtuais, visíveis por outras pessoas vestindo telas transparentes (head-up displays).

    Pais, professores e amigos poderiam ver roupas completamente diferentes. Por exemplo, meus amigos poderiam me ver como um grande gato rosado de bustiê, mas meu chefe me veria com um elegante terno italiano.

    Pelo menos espero que seja isso que ele venha a ver.

    A alternativa, temo, poderia requerer nova solução tecnológica.

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