
Com uma incidência maior especialmente entre as crianças, os pesadelos são sonhos intensos e perturbadores que podem causar medo, ansiedade e até mesmo acordar a pessoa durante a noite…
Pesadelos: neurologista orienta como lidar com esse problema

Com uma incidência maior especialmente entre as crianças, os pesadelos são sonhos intensos e perturbadores que podem causar medo, ansiedade e até mesmo acordar a pessoa durante a noite…
Pesadelos: neurologista orienta como lidar com esse problema
O cheiro de sálvia toma conta da cabine de 10 m². Luzes coloridas alternam lentamente entre o vermelho e o azul. No meio da sala, a maca, que mais parece uma cama, está preaquecida.
“Pode tirar a sua roupa e deitar ali”, diz a fisioterapeuta do Yelo Spa, rede com sede em Nova York que chegou a São Paulo no início do mês e tem como destaque a “terapia do cochilo” –pacote que inclui massagem e soneca.
A diferença para as já conhecidas cabines de cochilo é que, no spa, o cliente é colocado para dormir em macas eletrônicas que levantam as pernas acima da altura do tronco. Na posição, chamada de “gravidade zero” pelo spa, pode-se cochilar por até uma hora a R$ 2 o minuto.
| Zé Carlos Barreta/Folhapress | ||
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| O engenheiro Marcos Paulo Amaral, 37, tira cochilo em spa em São Paulo |
A reportagem testou a terapia e, ainda que tenha tentado resistir, não conseguiu ficar de olhos abertos.
Após os minutos de sono, a fisioterapeuta volta à cabine e acorda o cliente. O despertar, porém, ganhará ares tecnológicos em breve: uma máquina que clareia a sala lentamente, imitando o nascer do sol, foi encomendada.
“Ficar com as pernas para cima melhora a circulação”, diz Maria Carolina Fuoco Fernandes, fisioterapeuta do Yelo Spa. Segundo ela, a posição reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca, o que facilita o relaxamento.
Já o cochilo em si melhora funções cognitivas, como memória e atenção, benefícios já comprovados por pesquisas científicas (veja abaixo).
Os minutos de soneca, no mínimo 15, podem ser aliados (ou não) a massagens –nem todos os tipos exigem que o cliente tire a roupa, afinal, a ideia é cochilar no meio do expediente.
“Não cheguei a dormir pesado, mas fiquei meio em ‘alfa’”, afirma o engenheiro civil Marcos Paulo Amaral, 37, que também fez reflexologia, massagem nos pés.
A novidade de São Paulo já existe no Rio com o nome “power nap” (soneca poderosa). No espaço Pausadamente, aberto em 2009, o cliente pode virar mensalista e cochilar diariamente em cadeiras importadas. O equipamento também faz com que as pernas fiquem acima do nível do coração.
PARA O ALTO
Dormir com as pernas para o alto melhora, sim, a circulação sanguínea, segundo o cardiologista Ricardo Pavanello, do HCor (Hospital do Coração). “Ajuda no retorno venoso e facilita a performance cardiovascular.”
| Editoria de Arte/Folhapress |
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Mas não dá para dizer que a postura ajuda a diminuir a pressão arterial e os batimentos cardíacos. “Pode ter esse efeito, mas a resposta é individual”, afirma. Para ele, os possíveis benefícios não justificam uma mudança de posição na hora de dormir.
Elevar as pernas também não ajuda a dormir mais rápido, segundo a neurologista Dalva Poyares, do Instituto do Sono. “Não conheço nenhum estudo científico demonstrando isso.”
A neurologista vê mais sentido nos estímulos sensoriais usados pelos spas, como cromoterapia ou músicas relaxantes. “Os estímulos podem atuar em áreas específicas do cérebro e favorecer um estado de relaxamento.”
Sobre os benefícios do cochilo, Poyares ressalta que a prática é útil principalmente para quem está em privação de sono –a maior parte das pessoas. “Qualquer forma de contornar o deficit já ajuda.”
O melhor horário para a soneca é por volta das 14h, quando há uma queda na temperatura corporal, segundo a neurologista Andrea Bacelar, especialista em medicina do sono. A soneca, de acordo com ela, deve durar por volta de 40 minutos.
Quem tem insônia não deve cochilar durante o dia porque isso pode atrapalhar mais ainda o sono da noite. Além disso, há pessoas que não precisam ou não conseguem dormir durante o dia. “Quem não está em privação de sono e não sente necessidade de cochilar não precisa mudar a rotina”, diz Bacelar.
SERVIÇO
YELO SPA
R$ 2 o minuto da soneca (mínimo de 15 minutos) e R$ 3,60 o minuto da maioria das massagens (mínimo de 30 minutos).
Rua Pais de Araújo, 171, Itaim Bibi, São Paulo. Tel. (11) 2872-6972; http://www.yelospa.com.br
PAUSADAMENTE
40 minutos de soneca custam R$ 28; pacote mensal para dormir 40 min./dia custa
R$ 120.
Rua 7 de Setembro, 88, sobreloja 202, Centro, Rio de Janeiro. Tel. (21) 2232-8227; http://www.pausadamente.com.br
Curiosidades na internet
Uma equipe de médicos conseguiu se comunicar com um paciente que está em estado vegetativo há mais de dez anos. Eles perguntaram a Scott Routley, o paciente de 39 anos, se ele sentia dor. A resposta? Não. O médico responsável disse que a descoberta é tão significativa que vai alterar a redação dos livros de medicina.
Scott sofreu uma lesão cerebral grave durante um acidente de carro há 12 anos. Desde então ele não apresentou nenhum sinal de consciência ou capacidade de se comunicar. Para conseguir obter uma resposta do paciente em estado vegetativo, foi necessário monitorar suas atividades cerebrais por meio de uma máquina de ressonância magnética enquanto os médicos falavam com ele.
O professor britânico Adrian Owen conta à BBC News que foi necessário digitalizar várias vezes o padrão de atividade cerebral do paciente para mostrar claramente as suas escolhas ao responder às perguntas feitas pela equipe. O médico garante ainda que Scott sabe quem é e onde está.
“Conseguir de um paciente a resposta para algo importante para eles tem sido o nosso objetivo por muitos anos. No futuro, poderia perguntar o que podemos fazer para melhorar a sua qualidade de vida”, completa o Prof. Owen.
É a primeira vez que um paciente pouco comunicativo, com danos cerebrais severos, foi capaz de dar respostas clinicamente relevantes aos seus cuidados. O neurologista que acompanhou Scott por todo esse período, Prof. Bryan Young, disse que os resultados da ressonância derrubaram todas as avaliações comportamentais que foram feitas ao longo dos anos.
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