Robert Marchand, um ciclista francês de 102 anos, bateu nesta sexta-feira (31/01) o recorde da hora para maiores de cem anos que já pertencia a ele e que foi elevado para 26 quilômetros e 927 metros.
O francês, que nasceu em Amiens em 1911, três anos antes do início da Primeira Guerra Mundial, conseguiu tal façanha no velódromo de Saint-Quentin-en-Yvelines, nos arredores de Paris.
Em meio a uma grande mobilização midiática, o idoso melhorou a marca que pertencia a ele mesmo, de 24 quilômetros e 251 metros, estabelecida há dois anos na Suíça.
Visivelmente cansado, Marchand ainda teve que passar pelo exame antidoping, já que seu recorde foi homologado pela União Ciclística Internacional (UCI). Mas o idoso advertiu que não tinha nenhum problema em realizar o testo, já que só come mel antes da prova.
Em setembro de 2012, o idoso estabeleceu o recorde de velocidade em bicicleta de 100 quilômetros para centenários, ao percorrer essa distância em 4 horas, 17 minutos e 27 segundos em um velódromo de Lyon.
Com uma saudável rotina e uma dieta na qual há muitas “frutas e verduras”, o idoso corredor assegura pedalar “diariamente, sempre que o tempo permite”. Marchand mede 1,50 metros e pesa 50 quilos (medidas que o impediram de se tornar profissional quando tinha 20 anos), e participou de sua primeira rota ciclística de longo percurso aos 86 anos, em 1998.
No último século, houve dois marcos na fotografia narcisista. O primeiro foi a invenção do timer automático, que a Kodak começou a vender durante a Primeira Guerra Mundial. O segundo aconteceu alguns anos atrás, com as câmeras em celulares, quando adolescentes ficavam diante de espelhos tirando fotos de si mesmos e depois compartilhavam essas imagens na internet.
A câmera do celular é perfeita para a era das redes sociais. Mas mesmo os smartphones têm uma limitação: alguém precisa segurá-los. Isso não acontece com uma câmera minúscula e de altíssima resolução que decolou para a estratosfera, figurativamente e literalmente, nos últimos anos.
A câmera GoPro, que custa entre US$ 200 (cerca de R$ 400) e US$ 400 (R$ 800), testemunhou o mergulho de 39 km no ar de Felix Baumgartner. Além disso, ela já foi fixada a jatos que viajavam à velocidade Mach 5 e a pranchas de surfe que enfrentavam ondas de 30 metros.
Divulgação/GoPro
Imagens de Divulgação mostra praticante de snowboard equipado com uma câmera GoPro no capacete
A GoPro vendeu 3 milhões de câmeras em três anos. A empresa de pesquisas de mercado IDC disse que isso faz dela a câmera de vídeo mais comprada nos EUA.
Em outubro, a empresa, que começou há dez anos com uma câmera descartável que era presa aos pulsos de surfistas, lançou a Hero3 em clima de celebração.
Como isso aconteceu? Nick Woodman, 37, fundador da empresa, criou a primeira GoPro rudimentar quando foi à Indonésia para surfar. Ele queria fazer fotos de um amigo na água. Mas, só quando virou a câmera ao contrário para fazer fotos dele mesmo, foi que viu o potencial da câmera.
“A grande sacada aconteceu em 2007, quando percebemos que a maior oportunidade não se resumia a fabricar câmeras que fotógrafos podiam prender ao próprio corpo”, contou Woodman. “Era fazer câmeras que as pessoas pudessem prender ao próprio corpo para se fotografarem.”
Nessa mesma época, o Google tinha acabado de comprar o YouTube e sites como o Twitter e o Facebook chegavam ao grande público.
Woodman começou a vender suportes que permitiam que a GoPro fosse acoplada a qualquer coisa: pranchas de surfe, bicicletas, capacetes, arreios corporais e gatos -qualquer coisa mesmo.
O que aconteceu a seguir foi espantoso: as pessoas começaram a desenvolver um relacionamento afetivo com a GoPro. “Os clientes nos davam crédito em seus vídeos e fotos”, conta Woodman.
SEDENTÁRIOS TAMBÉM
Uma busca por “GoPro” feita no YouTube rende mais de meio milhão de vídeos. Milhões de fotos e vídeos lotam as redes sociais, todas assinaladas com o nome da câmera, do mesmo modo como as pessoas assinalam seus amigos.
A câmera está atraindo não apenas os entusiastas dos esportes radicais, mas também as pessoas sedentárias que gostam de assistir a vídeos feitos com a GoPro.
As grandes empresas estão tentando passar à frente da GoPro, mas é possível que tenham chegado com um atraso de dez anos.
“Nos últimos 50 anos, empresas como Nikon e Canon investiram na precisão, que tem seus benefícios, mas também suas limitações”, comentou o fotógrafo Chase Jarvis. “A GoPro é incrivelmente incômoda para esses fabricantes de câmeras de grande nome, e garanto a você que as festas de lançamento de produtos deles têm um clima diferente. A GoPro faz parte de uma outra cultura.”