Revista importante de tecnologia divulgou novidade com uma provocação: “adeus, jornalismo”; descubra como a pesquisa foi feita
Estudo indica que robôs podem dominar as redaçõesThinkstock
O título do texto publicado na mais recente edição da Wired UK, versão inglesa da revista americana Wired, bíblia libertária dos feitos e efeitos da ciência e da tecnologia, foi propositalmente exagerado, agressivo e ousado:
— Robots have mastered news writing. Goodbye journalism
Algo como: Robôs dominam a redação de notícias. Adeus jornalismo.
A provocação da revista abre alas para um texto sobre uma experiência tão interessante quanto curiosa, liderada por Christer Clerwall, pesquisador e professor de mídia e comunicações da universidade da cidade de Karlstad, na Suécia.
Criativo e simples na sua estrutura, o trabalho prova que, em casos, situações e busca de objetivos determinados, textos jornalísticos escritos por programas de computador já podem ser tão bons – ou até melhores – do que outros produzidos por jornalistas.
A estudante norte-americana, Brittany Wenger, de apenas 18 anos, construiu um algoritmo de nome complicado: rede neural artificial. O sistema encontra padrões em perfis de expressão genética e diagnostica leucemia de linhagem mista (MLL), um tipo agressivo de câncer. O prognóstico da doença geralmente é ruim, e a taxa de sobrevivência não passa de 40%. Contudo, o sistema inventado por Wender enche o.s pacientes de esperança
Brittany Wenger, estudante que desenvolveu sistema que identifica câncer (Foto: Reprodução / Marshable)
Ela explica que diferentes tipos de câncer têm impressões digitais moleculares diversas. A estudante descobriu quatro tipos específicos de genes que, ao serem identificados, são tratados com drogas próprias para cada um.
Mas esse não é o feito mais extraordinário de Wender. A jovem desenvolveu um programa de computador que detecta câncer de mama com 99% de acerto. O melhor é que a biópsia não é invasiva, como nos métodos tradicionais. A tecnologia usa inteligência artificial para determinar se as amostras colhidas são benignas ou malignas.
Cloud4Cancer, ferramento no auxílio do diagnóstico de câncer (Foto: Reprodução / TED)
O sistema, batizado de Cloud4Cancer, agrega dados resultantes de biópsias feitas com a aspiração de uma agulha fina em uma nuvem de dados. O programa identifica quais mulheres têm mais chances de desenvolver a doença e tratá-la a tempo.
Perto de se formar pela Out-of-Door Academy, Wenger se apaixonou por inteligência artificial enquanto estava na sétima série. Ela fazia um curso sobre os pensamentos do futuro. Encantada, ela imediatamente comprou um livro de programação e começou a desdobrar seus mistérios. Talvez por isso, ela se descreve como uma pessoa “naturalmente curiosa”. “A parte mais surpreendente sobre a ciência é que você realmente pode responder a perguntas e revolucionar o mundo através do conhecimento”, afirma.
Adolescente desenvolve algoritmo que diagnostica câncer (Foto: Reprodução/ Google Science Fair)
Mas ela só percebeu que podia usar sua paixão e curiosidade para ajudar as pessoas quando sua prima foi diagnosticada com câncer de mama. Empenhada em desenhar novos avanços para seus estudos, ela queria provar que a estrutura que construiu poderia lidar com diferentes doenças. Foi assim que ela chegou ao código de leucemia.
O futuro da jovem cientista é promissor. Recentemente, ela venceu a Intel Internacional Science and Engineering Fair, a maior feira de ciências do mundo, na qual 1.600 estudantes disputavam US$ 4 milhões em prêmios. A estudante ganhou US$ 3 mil na categoria “Ciência da computação”. A adolescente também venceu o Prêmio Grand, em que ganhou uma bolsa de US$ 50 mil do Google, uma viagem National Geographic para as Ilhas Galápagos, um ano de orientação e oportunidade de estágio com a Gigante de Busca, o CERN ou LEGO.
Algoritmo criado para diagnóstico de câncer (Foto: Reprodução / Google Science Fair)
Para saber mais sobre o trabalho de Brittany Wenger assista a uma das quatro palestras da jovem cientista no TED: