Em San Francisco, ‘hackerspace’ lançou balão de US$ 250 no espaço

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No terceiro andar, o galpão tomado por acessórios, máquinas e todo o tipo de coisa tecnológica, além cartazes com dizeres anarquistas, lembra um laboratório de cientistas malucos. Logo na entrada, a mensagem:” Se existe algo que você queira fazer, faça. Mas lembre-se de ser excelente para o outro ao fazê-lo”.

Esta frase resume a mais importante entre as poucas regras que fazem do Noisebridge –um dos primeiros hackerspaces fundados no território americano, em 2007– um espaço onde as pessoas são livres para se expressar criativamente e produzir o que lhes dá prazer. Tudo isso dentro de uma comunidade em que o pressuposto é que todos se ajudem, ensinem e aprendam uns com os outros.

“Mesmo quando não estou trabalhando em um projeto meu, estou envolvida em algo criativo e dentro desse ambiente. Posso utilizar recursos que não se tem em casa, como impressora 3D e máquina de corte a laser”, conta a inglesa Alexandra Glowaski, 26, que desde criança vive nos Estados Unidos e há cerca de quatro anos descobriu o movimento hacker.

Silvia Noara Paladino/Divulgação
A hacker Alex Glowaski, 26, faz um violão de fibra de carbono no 'hackerspace' Noisebridge
A hacker Alex Glowaski, 26, faz um violão de fibra de carbono no ‘hackerspace’ Noisebridge

Alexandra é mais conhecida como Alex. Ela fala espanhol e está aprendendo também russo e chinês. Com cabelos em estilo moicano, olhos azuis, botas pretas e um skate em mãos, ela entra no galpão onde o Noisebridge opera como se estivesse em casa.

Segundo a hacker, a comunidade possui um conselho, do qual ela faz parte, para cumprir formalidades que o governo norte-americano impõe a organizações sem fins lucrativos. No entanto, não há hierarquia, mas sim consenso, e reuniões são realizadas todas as terças-feiras. A ideia é unir pessoas de qualquer origem, o que ajuda a entender porque alguns dos melhores hackers que frequentam o Noisebridge, de acordo com Alex, são moradores de rua.

Foi com tal ideal que Mitch Altman ajudou a fundar o Noisebridge. O inventor é conhecido pela criação do TV-B-Gone, um discreto controle remoto universal que liga e desliga televisores em locais públicos, colocando o usuário no comando.

“Podemos fazer muito com muito pouco, e para isso as pessoas não precisam necessariamente de muito dinheiro. Há outros recursos importantes, como tempo”, diz Altman.

BALÃO NO ESPAÇO

Exemplo disso é o projeto Spacebridge, desenvolvido em 2010 pelos hackers do Noisebridge com apenas US$ 250.

Em seis semanas, o grupo lançou seu primeiro balão metereológico de elevada altitude no espaço, para tirar fotos do planeta. Com tudo documentado, outros balões, na sequência, foram lançados por hackerspaces em todo o mundo. A experiência pode ser repetida por alunos em feiras de ciências, o que já aconteceu nos Estados Unidos.

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