Infectologistas alertam para riscos de “escolher vacina”

Médicos destacam que todas as marcas usadas no Brasil são eficazes e que a vacinação só terá efeito no controle da pandemia quando mais pessoas estiverem imunizadas


Bahia e Sergipe receberam na semana passada uma remessa da vacina da Janssen, imunizante que tem como principal vantagem ser de dose única, diferente das outras vacinas que estavam sendo utilizadas no Brasil – a Coronavac, a Pfizer e a Oxford/Astrazeneca. Estes imunizantes são aplicados em duas doses para ter maior eficácia. É importante, porém, ter em mente que todas as vacinas são eficientes e cumpriram os requisitos de segurança para aprovação emergencial. Além disso, diante de um cenário de pandemia, se imunizar o mais breve possível é a melhor forma de se proteger do vírus e especialmente das formas graves da Covid-19.

A vacina da Janssen tem eficácia global de 66,9% contra infecções sintomáticas, de 76,7% contra doença grave e morte após 14 dias e de 85,4% após 28 dias de imunização. De acordo com o infectologista da S.O.S. Vida, Matheus Todt a vacina é produzida com a tecnologia de vetor viral, técnica que utiliza um vírus enfraquecido que transporta os genes virais para dentro das células, estimulando a resposta imunológica. Os efeitos colaterais comuns, segundo o médico, são os mesmos que outros apresentam: fadiga, dor no corpo ou no local da vacina e febre, por um ou dois dias.

“No atual cenário, com alta taxa de transmissão da Covid e hospitais lotados, é importante ter em mente que o maior risco que as pessoas correm é a infecção e desenvolvimento da forma grave da doença, ou, mesmo se isso não ocorrer, transmitir para alguém que desenvolva. Logo, escolher imunizante não faz sentido. É preciso sim, se vacinar, assim que tiver oportunidade, além de cumprir o protocolo vacinal completo, com duas doses para as vacinas que necessitam”, reforça.

A infectologista Monique Lírio chama atenção para a importância de atingirmos uma maior cobertura de pessoas vacinadas o quanto antes. Para a profissional, a vacinação precisa ser entendida como uma medida de saúde coletiva, e não uma decisão individual, pois a vacinação em massa é a chave para controlar a pandemia.

“Precisamos ter em mente o conceito coletivo de imunização, que depende de alta adesão da população às campanhas de vacinação em massa para efetivamente reduzir a gravidade da doença, com diminuição sustentada de casos de internação e óbitos. O conceito de imunização é coletivo, de modo que precisamos atingir ou chegar próximo da marca de 75% da população brasileira vacinada. Nós não estamos no momento de escolher vacinas. Ainda não há vacinas suficientes para imunizar todos os brasileiros. Se uma pessoa deixa de se vacinar, esperando escolher um imunizante, corre o risco de se contaminar e de transmitir aos seus familiares. Ao chegar o seu momento, tome a vacina que estiver à sua disposição no posto de saúde”, ressalta a médica infectologista.

A importância da segunda dose

Matheus enfatiza que, ao não tomar a segunda dose, não se pode saber o tempo nem a eficácia da proteção, e a pessoa pode estar exposta ao vírus, com sensação de estar imunizada – o que pode aumentar um comportamento do risco.

A infectologista da S.O.S. Vida, Monique Lírio, pontua que mesmo quem já tomou as duas doses da vacina não deve relaxar nos cuidados contra a Covid-19. O uso de máscaras, lavagem constante das mãos e o hábito de evitar aglomerações deve continuar.

Matéria extraída de NewsBreak