Financiamento de imóvel: venda uma experiência, serviço e produto

Por: Alfredo Soares Construir a casa própria é uma experiência que muitos brasileiros desejam. Fazer as coisas do seu jeito, manter o imóvel da sua forma, atendendo as suas necessidades.

É um processo, porém, cheio de etapas e que poderia ser simplificado.

Uma startup está fazendo isso pela internet: é a Minha Casa Financiada, que consegue prestar esse serviço e vender uma experiência ao mesmo tempo. Construir a casa dos sonhos passou a ser algo extremamente fácil, o que é uma interessante disrupção no mercado brasileiro.

Conversamos com Vinicius Motta, engenheiro e cofundador da empresa, maior plataforma online de construção financiada do país, para entender como milhares de pessoas estão aproveitando essa e outras vantagens para construir suas casas. Como funciona o financiamento para aquisição e construção?

Na modalidade aquisição e construção é possível escolher o terreno, construir a casa ideal e economizar cerca de 50% (no valor do m²) quando comparado ao imóvel já pronto e valorizado.

É importante saber que a Caixa Econômica Federal detém 98% desse tipo de financiamento no Brasil, e que, assim como os outros financiamentos, temos produtos atrelados ao indexador TR, criado para regular a inflação, remuneração de FGTS e vários tipos de financiamentos. No caso do crédito imobiliário, o banco mantém sua taxa fixa, deixando o indexador regular a parte variável. Contudo, a TR está zerada desde 2017 e seu histórico de oscilação é muito menos agressivo do que os atrelados à Selic.

O produto é o melhor do mercado para quem quer adquirir um imóvel para morar ou investir, visto que terá o bem assim que estiver construído, podendo residir, ou transacionar ele num valor superior, se tornando investidor nesse mercado. Mas como os clientes da Minha Casa Financiada constroem suas casas?

Que tipo de serviço a startup presta? Somos um marketplace de abrangência nacional que une essas duas pontas: as pessoas que querem realizar seus sonhos, gastando o mínimo possível, e construtores (na sua maioria engenheiros e arquitetos) totalmente capacitados para atender as demandas dos nossos clientes.

Em um ano e meio desde a fundação reunimos 3 mil construtores e viabilizamos crédito para mais de R$ 1,6 bilhão em aquisições e construções de lotes residenciais dentro da nossa plataforma. Como a pandemia afetou o mercado de construção, mais especificamente o nicho de atuação de vocês?

Sem outras opções de lazer, as pessoas perceberam como é importante ter um lar que atenda suas necessidades de espaço e personalização. Tanto que quem tinha dinheiro extra, usou para fazer uma reforma ou executar aquele projeto que estava no papel há tempos. Basta notar a alta demanda por materiais de construção no último ano.

No fundo, o que queremos mostrar para as pessoas é que com metade do dinheiro que elas imaginam (tomando como base o mercado imobiliário tradicional) é possível adquirir o terreno perfeito, construir sua casa e começar a pagar amortização apenas quando o imóvel estiver pronto para morar.

E qual o tamanho da empresa até o momento? Que desafios ela enfrenta? Hoje temos uma base de 3 mil construtores cadastrados na nossa plataforma. Apesar de o número parecer alto, queremos atingir a marca dos 5 mil ainda em 2021, pois entendemos que ainda faltam profissionais para atender o grande volume de clientes. Atualmente, recebemos uma média de 1500 aberturas de financiamento por mês, sendo que na nossa história já ajudamos 4223 pessoas a concluir esse processo.

Outro desafio diz respeito justamente ao bom atendimento, tanto do nosso suporte quanto dos nossos construtores. Se quisermos escalar nosso negócio e viabilizar essa alternativa de construção de moradia pelo Brasil, temos que manter o alto nível de entrega em um setor que é tradicionalmente burocrático, buscando também ampliar o leque de parceiros interessados em oferecer fundos para esse tipo de crédito.  

Nos últimos dois anos vimos a taxa Selic cair para a mínima histórica e, com ela, os financiamentos imobiliários atingiram um momento de grande interesse no Brasil.

Contudo, o cenário parece começar a virar, com o preço dos imóveis inflacionando e a própria taxa básica de juros com perspectivas de encerrar o ano em torno dos 6%. Talvez seja a hora de agir.  

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