Governo remove Inpe da função de divulgar dados sobre queimadas no país

Nos primeiros seis meses do ano, o desmatamento na Amazônia cresceu 17%, com a derrubada de 3.610 quilômetros quadrados de floresta.

A divulgação de dados estarrecedores como este e outros sobre queimadas e incêndios em florestas brasileiras fazem parte do escopo de funções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No entanto, faziam parte. Na segunda-feira, 12, ao menos da função de monitoramento de queimadas, o Inpe foi desatribuido pelo Governo Federal.

O órgão federal fazia esse trabalho há décadas, divulgando diariamente dados técnicos sobre o avanço do fogo no País, uma ferramenta crucial para orientar o avanço dos incêndios, bem como o volume queimado em cada região. A informação foi confirmada durante uma reunião realizada pelo Ministério da Agricultura no início da semana. No encontro, que teve a participação da ministra Tereza Cristina, o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, afirmou que, a partir desta terça-feira, o Inmet é o órgão que fará esse trabalho, por meio de seu novo “Painel de Monitoramento ao Risco de Incêndio”, ferramenta que vai monitorar e divulgar os locais com maior probabilidade de ocorrência de incêndios no Brasil.

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Todos os relatórios do governo federal serão passados por esse sistema, que está sendo organizado aqui. Provavelmente a gente vai ter uma regulação do sistema nacional de meteorologia.” Segundo o diretor do Inmet, a divulgação feita até hoje teria problemas de integração de dados. “É um problema que o Brasil enfrentava há décadas, na verdade há mais de 40 anos, a pulverização na divulgação de dados sobre incêndio e meteorologia”, disse. Por meio de nota, o Ministério da Agricultura declarou que “a iniciativa se deu devido aos incêndios florestais e queimadas, que ocorrem normalmente de julho a setembro no Brasil central, ocasionando grande impacto ao meio ambiente, ao agronegócio e à economia brasileira.

Diante disso, o Inmet estrategicamente passa a monitorar o risco de incêndio para fornecer informações e possibilitar a adoção de medidas preventivas mais eficazes e econômicas”, afirmou a pasta.

A ferramenta, segundo o ministério, possui um mapa de monitoramento que aponta para o índice de risco ou perigo de ocorrência de incêndios em determinada região e permite identificar as áreas com alto risco à ocorrência de incêndio, disponibilizar a informação de risco de incêndio para todos os Estados Brasileiros; contribuir para a redução das perdas na agricultura; contribuir nas ações preventivas de combate à incêndios; e garantir que o produtor possa realizar sua gestão de riscos. Desde 2019, o governo queria alterar o sistema e a divulgação de informações. Essa missão ficou a cargo do então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que, a mando do presidente Jair Bolsonaro, queria alterar o sistema aberto de dados.

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