Humanos pré-históricos já cozinhavam 780 mil anos atrás – DW


Novo estudo mostra que Homo erectus cozinhava muito antes do que se pensava. Evidências sugerem que nutrientes necessários para o crescimento do cérebro podem ter vindo do peixe cozido.




Quando exatamente aprendemos a cozinhar os alimentos é um dos momentos evolutivos mais importantes da nossa espécie. É o que nos transformou em humanos modernos.



“Cerca de 1 a 2 milhões de anos atrás, os humanos pré-históricos desenvolveram corpos mais altos e cérebros maiores. Acredita-se que dietas ricas em calorias, e o ato de cozinhar em particular, levaram a essa mudança”, disse David Braun, professor de antropologia no Columbian College of Arts and Sciences em Washington, D.C.

Um novo estudo, publicado na revista científica Nature Ecology and Evolution, sugere que hominídeos já cozinhavam alimentos há cerca de 780 mil anos. Até agora, a evidência mais antiga de comida cozida era de cerca de 170 mil anos atrás, com os primeiros Homo sapiens e Neandertais usando fogo para cozinhar legumes e carne.

Primeiras fogueiras para cozinhar são anteriores ao ‘Homo sapiens’

O novo estudo mostra que o Homo erectus, um ancestral dos humanos modernos, cozinhava alimentos muito antes do que se pensava.

“Redefinir esta data em mais de 600 mil anos para trás tem implicações para a reconstrução da história evolutiva dos humanos pré-históricos”, disse à DW Jens Najorka, coautor do estudo, do Museu de História Natural de Londres.

A equipe de pesquisadores encontrou as evidências em um sítio arqueológico localizado no norte do Vale do Jordão, na atual Israel. O local, chamado Gesher Benot Ya’aqov, é conhecido por datar de cerca de 780 mil anos atrás.

Acredita-se que comunidades de Homo erectus da chamada cultura acheuliana viveram na região. Elas tinham uma dieta variada, incluindo caça de grande porte, frutas e legumes, além de peixes de água doce do lago paleolítico Hula, que ficava nas proximidades. Mas até agora, os especialistas não sabiam se os alimentos eram comidos crus ou cozidos.

Dentes de peixe queimados revelam antigas práticas culinárias

A equipe analisou restos de dentes de peixe (de carpas e barbos) encontrados nas proximidades de lareiras em Gesher Benot Ya’aqov.

Ao analisar a estrutura cristalina dos dentes, os pesquisadores descobriram que eles foram cozidos a menos de 500 graus Celsius.

“Isso sugere que o peixe foi cozido em uma temperatura controlada, em vez de simplesmente queimado”, disse à DW o coautor do estudo, Irit Zohar, da Universidade de Tel Aviv, em Israel. “Até agora, ninguém conseguiu provar que o Homo erectus cozinhava. Esta é a primeira evidência de que ele tinha a capacidade cognitiva de controlar o fogo e cozinhar alimentos.”

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