Começa em SP maratona que apresenta todas as sinfonias de Beethoven em quatro dias

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Com as três primeiras sinfonias, a Filarmônica de Câmara Alemã de Bremen inicia hoje a maratona de execução das sinfonias de Ludwig van Beethoven, regidas pelo estoniano Paavo Järvi.

As récitas de hoje e amanhã serão no Theatro Municipal, e as de sábado e domingo, na Sala São Paulo, dentro da temporada do Mozarteum.

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Paavo Järvi, além de suas qualidades de maestro, tem o mérito de apresentar de uma só vez esse repertório encavalado entre os períodos clássico e romântico.

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Toda boa orquestra que se preze interpreta ou grava as sinfonias de Beethoven. É o caso da Osesp, com as nove já disponíveis em CD. A orquestra fará, entre 8 e 10 de agosto, três récitas com a “Sinfonia nº 5”, regida por Rafael Frühbeck de Burghos.

Beethoven (1770-1827) é o autor do maior e mais conhecido monumento na história da música sinfônica. Serviu de referência para sinfonistas seus contemporâneos, como Schubert (dez sinfonias), ou que o sucederam no romantismo ou pós-romantismo, como Mendellsohn (cinco), Schumann (quatro, mais uma quinta, inacabada), Brahms (quatro), Bruckner (nove, e mais uma renegada), Dvorák (nove) ou Mahler (nove, mais trechos da décima).

Na Rússia, Tchaikovsky escreveu seis sinfonias, Prokofiev, sete, e Chostakovich, 15. Há dezenas de outros sinfonistas menos conhecidos.

Mas na mesma genealogia, com raiz em Beethoven, estão os poemas sinfônicos de Liszt ou Richard Strauss.

No Brasil, Villa-Lobos escreveu 12 sinfonias, Cláudio Santoro, 14, Camargo Guarnieri, sete, e José Siqueira, quatro e igual número de poemas sinfônicos.

A ruptura com a estética de Beethoven só ocorreu no fim do século 19, com Debussy.

As sinfonias se consagraram no classicismo, na segunda metade do século 18. Mozart escreveu 41, Haydn, que foi professor de Beethoven, 104. Mas nesses dois casos eram peças com instrumentação menos complexa, por vezes só entretenimento.

Sobre Beethoven, circulam suposições incorretas. Uma acredita que as sinfonias foram escritas segundo um processo linear de aperfeiçoamento, pelo qual a “Primeira” (1800) seria menos bem escrita que a “Nona” (1824).

Musicólogos têm outra visão. Alguns enxergam o apogeu de Beethoven entre a “Terceira” e a “Sexta” (“Pastoral”). A “Nona”, também chamada “Coral”, seria só a mais espetacular, por exigir coro e quatro solistas vocais.

Ela é a mais conhecida entre todas as sinfonias até hoje escritas, em razão de dois chamativos: a beleza melódica (o último movimento, de tão popular, virou hino da União Europeia) e o número de músicos necessários a sua execução: geralmente, até 120 instrumentistas e mais um coral de centena de vozes.

A “Sinfonia nº 5” é também popular. Até os menos iniciados conhecem as quatro notas em staccato do início do primeiro movimento.

Outra suposição frágil aponta as sinfonias como centro da criatividade de Beethoven. Mais uma vez, e há bibliotecas inteiras a respeito, crê-se que ousadias e radicalismos formais estejam nas 32 sonatas para piano ou nos 16 quartetos de cordas. Entre eles, os cinco últimos são para se ouvir de joelhos.

Costuma-se classificar a produção de Beethoven em três períodos. No primeiro (sinfonias 1 e 2), influência de Mozart e Haydn; no segundo, da “Sinfonia nº 3” até a “Oito”, aparição de uma linguagem já romântica; no terceiro, a partir de 1815, plena maturidade. A “Nona” é de 1824.

É a sinfonia mais longa. As mais curtas são a “Primeira” e a “Oitava”, que, dependendo do maestro, têm menos da metade da duração dela.

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